Dois anos depois, veja por onde andam personagens do ‘caso Heverton’

Foi em um dia dez de dezembro que a Portuguesa ficou sabendo da possibilidade de ser rebaixada no Campeonato Brasileiro de 2013. No domingo anterior, a equipe paulista havia empatado em 0 a 0 com o Grêmio na última rodada da Série A, em resultado que – até então – manteria a Lusa na elite.

Manteria. Se não fosse pela escalação de Heverton, meia que atuou exatos 13 minutos, mas que não poderia estar em campo. O jogador, que entrou aos 32 do segundo tempo, foi expulso na antepenúltima rodada do Brasileiro, cumpriu a suspensão, só que ganhou mais um jogo de gancho do STJD.

O julgamento aconteceu dois dias antes de a bola rolar no Canindé. Pouco mais de 48h depois, Paulo Schimitt, procurador-geral do STJD e um dos personagens do episódio, informou que denunciaria a Portuguesa pela infração. O time foi julgado, rebaixado e dois anos se passaram desde então…

Veja onde estão os principais personagens do caso:

HEVERTON

Ainda que involuntariamente, acabou sendo o grande pivô da polêmica. Após deixar a Portuguesa, Heverton foi para o Paysandu, chegou a anunciar a aposentadoria e depois voltou atrás. Em 2015, acertou com o Brasília, mas jogou apenas cinco partidas. Em maio, se transferiu para o Caxias (RS) para disputar a Série C do Campeonato Brasileiro. Uma ruptura dos ligamentos do joelho, porém, o afasta dos gramados desde então. Em fase final de recuperação, tem futuro ainda indefinido para 2016.

GUTO FERREIRA

GAZETA PRESS

Guto Ferreira era o técnico da Portuguesa na última rodada do Brasileiro
Guto Ferreira era o técnico da Portuguesa na última rodada do Brasileiro

Foi o treinador que colocou Heverton em campo na última rodada do Brasileiro. Questionado, negou saber da suspensão do atleta. Deixou o clube em fevereiro de 2014 e passou por Figueirense e Ponte Preta antes de assumir a Chapecoense, em setembro de 2015, clube que comanda até hoje.

MANUEL DA LUPA

Foi presidente da Portuguesa por nove anos, sendo dezembro de 2013 seu último mês no clube. Foi ouvido pelo Ministério Público, que investiga o caso, e, dentro da Lusa, acabou apontado como responsável pela queda, por supostamente saber da suspensão de Heverton e não avisar a Guto Ferreira e demais membros do departamento de futebol. Foi essa interpretação que o fez ser expulso do conselho deliberativo rubro-verde em abril de 2015.

OSVALDO SESTÁRIO

Foi advogado que representou a Portuguesa no julgamento de Heverton, na sexta-feira anterior ao jogo contra o Grêmio. Dirigentes da Lusa o acusaram de não ter avisado sobre a punição, o que ele sempre negou, chegando, inclusive, a apresentar sua conta telefônica, com o que seria a ligação para representantes do clube. Inocentado pelo MP, ele segue advogando no STJD. Na última sessão da Quarta Comissão Disciplinar, por exemplo, no dia 4 de dezembro, atuou em quatro casos, defendendo América-MG, Mogi Mirim (SP), Sport (RE) e a Federação Paranaense de Futebol.

PEDRO HENRIQUE TORRE/ESPN.COM.BR

Osvaldo Sestário, que representou Portuguesa, segue advogando no STJD
Osvaldo Sestário, que representou Portuguesa, segue advogando no STJD

ANDRÉ SANTOS

A mesma 38ª rodada do Brasileiro de 2013 registrou outro caso de escalação irregular. No sábado, um dia antes de Portuguesa x Grêmio, André Santos atuou no empate em 1 a 1 entre Flamengo e Cruzeiro também suspenso, depois de receber um jogo de gancho do STJD por expulsão na final da Copa do Brasil, contra o Atlético-PR. O clube carioca perdeu quatro pontos, mas acabou uma posição a frente da Portuguesa, que recebeu a mesma punição. Desde que deixou o Fla, o lateral-esquerdo jogou pelo Goa (Índia), Botafogo-SP e FC Wil 1900 (da segunda divisão da Suíça), que defende até hoje.

PAULO SCHMITT

Procurador-Geral do STJD, foi ele o responsável por denunciar à Portuguesa ao tribunal. Schmitt mantém o cargo até hoje, além de também ser membro da Comissão de Estudos Jurídicos do Ministério do Esporte e assessor jurídico das confederações brasileira de basquete, de ciclismo, de ginástica e de handebol, com sua empresa Práxis Consultoria. Em 2014, foi investigado pela Polícia do Rio de Janeiro por possível envolvimento na farra de ingressos da Copa do Mundo.

MÁRIO BITTENCOURT

Foi o advogado que representou o Fluminense no STJD. O clube carioca, rebaixado no campo no Brasileiro de 2013, se apresentou como terceiro interessado na questão e acabou se salvando do rebaixamento. Bittencourt ganhou protagonismo no caso e, em maio de 2014, foi indicado pelo presidente Peter Siemsen para assumir como vice de futebol tricolor, cargo que ocupa até hoje.

DIVULGAÇÃO/FLUMINENSE

Advogado Mário Bittencourt virou vice-presidente de futebol do Fluminense
Advogado Mário Bittencourt virou vice-presidente de futebol do Fluminense

FELIPE BEVILACQUA

Foi o relator do julgamento da Portuguesa na Primeira Comissão Disciplinar do STJD, em que está até hoje. O advogado carioca votou favoravelmente à punição à Portuguesa e todos os outros auditores (Vinicius Augusto Sá Vieira, Luiz Felipe Bulus, Douglas Blackhman e o presidente Paulo Valed Perry) o acompanharam – os quatro também seguem no tribunal. O clube paulista ainda recorreu da decisão, mas voltou a perder no Pleno.

ILÍDIO LICO

Assumiu a presidência da Portuguesa após a saída de Manuel da Lupa nos primeiros dias de 2014, já com o rebaixamento à Série B sacramentado. Renunciou em março de 2015, depois de ter um processo de impeachment aberto no Conselho do clube. Em junho, criou polêmica ao dizer que Fluminense e Unimed estariam por trás do “caso Heverton”, mas, em outubro, recuou: visitou as Laranjeiras, conversou com o presidente tricolor Peter Siemsen e pediu desculpas. “Quem errou foi a Portuguesa, a diretoria anterior. O Fluminense aproveitou apenas o regulamento, só isso. Não tem mais nada. Não houve irregularidade do Fluminense. Tinha almoçado, tomei um vinho meio forte”, justificou.

ROBERTO SENISE

REPRODUÇÃO

Roberto Senise, procurador do Ministério Público em inquérito contra CBF e STJD no 'caso Portuguesa'
Roberto Senise, procurador do Ministério Público no ‘caso Portuguesa’

Promotor do Ministério Público de São Paulo, assumiu a investigação do caso e foi incisivo nas muitas vezes que falou sobre o episódio. Os indícios, segundo ele, apontavam que a escalação de Heverton não foi por acaso e que alguém recebeu alguma coisa para tal. Senise investigou o assunto até abril, quando o inquérito foi repassado para o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). Em novembro, o jornal ‘O Estado de S. Paulo’ publicou que o MP-SP concluiu que a Lusa recebeu valores que poderiam variar de R$ 4 milhões a R$ 20 mi para escalar o jogador. Quem supostamente fez esse pagamento, no entanto, segue um mistério – até para a Justiça.

PORTUGUESA

Em meio a tudo isso, a Portuguesa hoje está na Série C, a terceira divisão do Campeonato Brasileiro, e na A-2, o segundo nível do futebol paulista…

 

http://espn.uol.com.br/noticia/563432_dois-anos-depois-veja-por-onde-andam-personagens-do-caso-heverton

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