Leão deixa cargo de consultor da Portuguesa: “Estava no limite”

Estopim para saída de treinador da Lusa foi contratação do meia Rico, de 36 anos. Dirigente também relata problemas com o presidente Alexandre Barros

Emerson Leão não é mais consultor de futebol da Portuguesa. O treinador assumiu o cargo no começo deste ano como voluntário, porém divergências com o presidente Alexandre Barros e a maneira de condução do futebol na Lusa fizeram-no deixar o cargo.

– Faz uns 15 dias que resolvi comunicar que meus dias de colaborador estavam no limite. O presidente me ligou e perguntou se eu queria conversar. Não participei dos últimos quatro jogos. Algumas coisas conversadas não foram cumpridas. Eu sempre fui justo. Quando começam as injustiças, complica – diz Leão.

O estopim para o ex-consultor deixar o clube foi a permissão que o meia Rico, ex-São Paulo, teve para treinar no CT do clube. O jogador de 36 anos teve a contratação confirmada há quatro dias, porém Leão soube da confirmação através do GloboEsporte.com. Dias antes de o meia começar a treinar na Lusa, o Palmeiras havia oferecido um zagueiro de 19 anos para o clube. O presidente Alexandre Barros não o quis, afirmando que as últimas vagas seriam preenchidas por “titulares”.

– Eu tive que pegar um telefone e ligar para o gerente de futebol do Palmeiras (Cícero Souza) para pedir desculpas em nome da Portuguesa. Não deixaram o menino treinar. O presidente disse que ele nem trocaria de roupa. Três dias depois, aparece um jogador de 36 anos, seis meses sem chutar uma bola. Perguntei quem era? Disseram: “Mandaram aí”. A partir desse momento, nunca mais fui na Portuguesa. O de 19 anos não pode treinar e o de 36 pode? Aí não.

Outra questão que incomodou muito o treinador foi não poder atuar no Canindé em algumas partidas da Série A-2 do Paulista. O clube alugou o estádio para shows em três datas em que haveria partidas no local.

– Alguns times vão disputar 10 jogos em casa. Outros, nove, caso da Lusa. Sabe quantos postos poderíamos ganhar em casa? 27. Quando joga seis, disputa só 18 pontos. Conclusão: fica muito mais difícil. Essas coisas foram me aborrecendo.

O técnico não poupou o presidente Alexandre Barros, de quem é amigo, das críticas. Segundo Leão, o cargo não-remunerado só foi aceito por causa dele.

– Vida dele toda foi ser jornalista. Agora ele é o presidente. Ele se assustou com tanta coisa que caiu na mão dele. Só sei ajudar sendo justo. Ele está cumprindo com o que ele acha. Ele pediu que eu tomasse as decisões totais lá dentro. Minha função é estar lá. Chegava antes das 8h todos os dias. Pessoal achou que eu não iria. Uma vez que eu assumi, meu nome está em jogo. Deixou de ser aquilo que ele falou.

Leão gostou da primeira experiência como dirigente no meio do futebol após passar anos como treinador. Neste período, garante que não se envolveu em nenhum momento nas escalações do treinador Tuca Guimarães.

– Eu estou lá para apoiar. Eu não escolhi treinador, preparador físico. Eu só coloquei o medico e o gerente de futebol, que não tinha. Nenhum jogador eu coloquei. Eu sou voluntário. Não sou funcionário. Podia sair a qualquer hora, por isso que não levei ninguém. Não acreditavam que eu chegaria às 8h da manhã por vários dias, como fiz. Chegava até quando não tinha porteiro e eu tinha que descer do carro para abrir e fechar o portão. Fiz tudo de coração – finaliza Leão.

Até a publicação desta matéria, o presidente da Portuguesa, Alexandre Barros, não tinha retornado os contatos da reportagem.

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