Matheus Rodrigues, autor do golaço de bicicleta, já fez bico como entregador

Em sua estreia pela Portuguesa, o atacante Matheus Rodrigues acertou uma bela bicicleta que deu a vitória contra o Nacional pela primeira rodada da Copa Paulista. A jogada, inclusive, foi eleita como o “gol mais bonito do futebol nacional” do programa “Linha de Passe”, da ESPN, na última segunda-feira.

Natural de São Paulo, Matheus Rodrigues cresceu com os pais, um entregador e uma agente escolar, e mais três irmãos no Jabaquara, na Zona Sul da cidade. Na periferia, sempre acompanhou o pai pelos campos de várzea e jogava com os amigos, e, desde pequeno, sonhava poder ser jogador profissional.

“Minha mãe me levava pra treinar no Clube MESC, em São Bernardo do Campo. Joguei lá até os 11 anos, mas tive de parar porque não tínhamos condições de bancar as passagens de ônibus. Acabei ficando sem ter onde treinar e só jogava na rua ou em algum time com os amigos do meu pais. Ficar sem treinar foi complicado, porque hoje sinto que se seguisse no MESC as coisas não teriam sido tão difíceis”, contou o atacante.

Aos 17 anos, Matheus assinou com o Santa Ritense, de Minas Gerais, para a disputa do Campeonato Mineiro Sub-20 de 2015. Em um clube modesto, o atleta passou as primeiras dificuldades longe da família.

O desânimo tomou conta do garoto, que viveu uma época difícil, em que apenas pensava em “ficar deitado em casa assistindo à televisão”.

“Meu pai conhece muita gente na várzea e um amigo dele, o Jaime, foi treinar o time lá e me chamou pra ir junto. Cheguei já na segunda fase do torneio. Mas no jogo mais importante, contra o Atlético-MG, acabei fraturando o dedo do pé e voltei pra casa. Fiquei seis meses sem poder jogar futebol. Isso sem contar que as condições eram precárias e eu e meus colegas de time chegamos a passar fome. Foi muito difícil”, disse.

“Eu via meus amigos jogando e ficava chateado. Queria estar em algum clube, mas a lesão me atrapalhou muito. Estava fazendo bons jogos pelo Santa Ritense. Voltei pra São Paulo muito desanimado, mas precisei começar a trabalhar com meu pai pra ajudar em casa.”

Trabalhando como entregador para auxiliar no sustento de sua família, Matheus passou a contar com a ajuda de amigos para conseguir testes em clubes e, quem sabe, retomar a carreira.

Entre o Pires do Rio, de Goiás, Bragantino, Rio Branco e PSTC, do Paraná, e outras tentativas, o jovem descobriu o lado mais “obscuro” do futebol, ao ser enganado por um empresário.

“Um agente disse ao meu pai que havia arrumado um time grande para eu jogar. O problema é que vinham propostas de outros clubes do Paraná e eu negava porque dizia já ter clube. Mas, na verdade, ele havia conseguido só um teste no Sub-23 do Santos, e eu só soube disso quando já estava lá. Passei duas semanas sendo avaliado, mas não quiseram assinar”, lembrou.

Após quase um mês parado, à espera de um time, Matheus ligou para seu empresário, Léo Feijó, pedindo para encontrar vaga em algum clube.

Eis que, então, surgiu o momento que tornou o jovem conhecido nacionalmente: a chance de defender a camisa da Portuguesa.

“Estava desesperado para voltar a jogar e liguei pro Léo. Ele conseguiu uma vaga na Portuguesa e dei sorte de o treinador Allan All já me conhecer. Isso ajudou na aprovação do meu nome para a disputa da Copa Paulista. Quando o titular deixou a equipe antes do torneio, a vaga, naturalmente, veio para mim. Hoje, posso dizer que voltei a fazer o que mais amo. E a sorrir”.

 

ESPN

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